Carniceiro da Bósnia,
sanguinário, estes são talvez alguns adjectivos para qualificar Ratko Mladic.
Nascido na Bósnia, em Bozinovici, cedo perdeu o seu pai assassinado por milícias
Croatas pró-nazis , tinha então 2 anos. Dizem os colegas do partido que a
partir desse mesmo dia Mladic se tornou ultranacionalista jugoslavo, que odiava
muçulmanos e croatas.
A sua personalidade fria e cruel
fez com que chegasse a comandante do exército sérvio aos 49 anos.
A sua ira contra os muçulmanos
era enorme, e juntamente com Karadzic, o carniceiro dos Balcãs, defendiam a
ideia de uma grande Sérvia. Defendia a ideia de que o povo Sérvio estava
ameaçado com a chegada do Islão à europa.
Nâo deixa de ser curioso que,
tendo o seu pai sido assassinado por milícias pró-nazis, se tenha tornado também
ele numa espécie de Hitler no que diz respeito ao aniquilar de populações.
Durante a guerra na Jugoslavia,
Mladic fez parte, e comandou o exército sérvio no massacre de Sebrenica, num
verdadeiro circo idêntico ao praticado pelos nazis. Separou homens de mulheres,
e matou todos os homens dos 12 aos 77 anos. Nada nem ninguém escapou. As mulheres,
as que sobreviveram, foram levadas para território muçulmano.
No cerco a Sarajevo, o maior
cerco da historia moderna, o exercito sérvio fechou a cidade durante 3 anos,
com apenas uma ideia na cabeça, a limpeza dos muçulmanos, perante a
incapacidade dos capacetes azuis.
No final da guerra, foi viver
para Belgrado, sob protecção do seu líder Slobodan Milosevic. Até que finalmente
o regime caiu. Durante este tempo teve uma vida de excessos. Frequentou bons
restaurantes, foi visto a dançar no casamento do filho, passou férias no Montenegro,
enfim, uma bela vida. O regime caiu em 2000, mesmo assim ainda recebeu a sua
reforma até 2005. Nessa altura tudo mudou finalmente. Sendo emitido um mandato
de captura internacional, teve de esconder-se durante anos entre a Servia e o
Montenegro. Um ano antes, em 2004, jà a sua filha se tinha suicidado devido as
acusações que tombavam sobre o seu pai.
Capturado em 2011, julgado em
2017, saiu e foi expulso da audiência final. Gritava que eram tudo mentiras.
Provas mais fossem precisas para classificar um criminoso de guerra.
Nunca chegará a
pagar na vida terrena pelo mal causado. Será macabro dizer que há pessoas que
nunca deveriam ter nascido? Será cruel culpar todos os Sérvios pela crueldade
durante a guerra na Jugoslavia? Em todo lado há boas e más pessoas. Mas as
coisas têm de ser chamadas e tratadas pelos nomes. Os Sérvios na guerra foram cruéis,
e os ódios criados não vão desaparecer nos próximos anos. Mas estes julgamentos,
sejam eles tardios ou não, ajudam de certeza a por, pelo menos, um pano fresco
sobre as feridas que ardem.
