23.11.17

Mladic, o sanguinário, finalmente condenando.




Carniceiro da Bósnia, sanguinário, estes são talvez alguns adjectivos para qualificar Ratko Mladic. Nascido na Bósnia, em Bozinovici, cedo perdeu o seu pai assassinado por milícias Croatas pró-nazis , tinha então 2 anos. Dizem os colegas do partido que a partir desse mesmo dia Mladic se tornou ultranacionalista jugoslavo, que odiava muçulmanos e croatas.
                A sua personalidade fria e cruel fez com que chegasse a comandante do exército sérvio aos 49 anos.
                A sua ira contra os muçulmanos era enorme, e juntamente com Karadzic, o carniceiro dos Balcãs, defendiam a ideia de uma grande Sérvia. Defendia a ideia de que o povo Sérvio estava ameaçado com a chegada do Islão à europa.
                Nâo deixa de ser curioso que, tendo o seu pai sido assassinado por milícias pró-nazis, se tenha tornado também ele numa espécie de Hitler no que diz respeito ao aniquilar de populações.
                Durante a guerra na Jugoslavia, Mladic fez parte, e comandou o exército sérvio no massacre de Sebrenica, num verdadeiro circo idêntico ao praticado pelos nazis. Separou homens de mulheres, e matou todos os homens dos 12 aos 77 anos. Nada nem ninguém escapou. As mulheres, as que sobreviveram, foram levadas para território muçulmano.
                No cerco a Sarajevo, o maior cerco da historia moderna, o exercito sérvio fechou a cidade durante 3 anos, com apenas uma ideia na cabeça, a limpeza dos muçulmanos, perante a incapacidade dos capacetes azuis.
                No final da guerra, foi viver para Belgrado, sob protecção do seu líder Slobodan Milosevic. Até que finalmente o regime caiu. Durante este tempo teve uma vida de excessos. Frequentou bons restaurantes, foi visto a dançar no casamento do filho, passou férias no Montenegro, enfim, uma bela vida. O regime caiu em 2000, mesmo assim ainda recebeu a sua reforma até 2005. Nessa altura tudo mudou finalmente. Sendo emitido um mandato de captura internacional, teve de esconder-se durante anos entre a Servia e o Montenegro. Um ano antes, em 2004, jà a sua filha se tinha suicidado devido as acusações que tombavam sobre o seu pai.
                Capturado em 2011, julgado em 2017, saiu e foi expulso da audiência final. Gritava que eram tudo mentiras. Provas mais fossem precisas para classificar um criminoso de guerra.
Nunca chegará a pagar na vida terrena pelo mal causado. Será macabro dizer que há pessoas que nunca deveriam ter nascido? Será cruel culpar todos os Sérvios pela crueldade durante a guerra na Jugoslavia? Em todo lado há boas e más pessoas. Mas as coisas têm de ser chamadas e tratadas pelos nomes. Os Sérvios na guerra foram cruéis, e os ódios criados não vão desaparecer nos próximos anos. Mas estes julgamentos, sejam eles tardios ou não, ajudam de certeza a por, pelo menos, um pano fresco sobre as feridas que ardem.